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Geral Djacy Brasileiro em 04 Mar 2010

GRITO DE ALERTA: IMINÊNCIA DE SECA

Início do mês de março e inverno nada. Consequentemente, os sertanejos começam a entrar em pânico. São muitas as lamentações!

As chuvas, que caíram na região das minhas Paróquias de Santa Cruz e Lastro, região de Sousa – Pb, foram mínimas e mesmo assim, em espaço de tempo demorado. Andando pela zona rural, como de costume, tenho presenciado a lavoura e a pastagem murchando, se definhando. Segundo alguns agricultores, tudo está perdido. Muitos esperam chover, para fazer novas plantações.

A cada dia que passa, percebo que a situação vai ficando dramática: Sol escaldante, calor insuportável (grande risco para as crianças e pessoas idosas). O dia parece ser uma fornalha ea noite, o sertanejo olha para o céu, e nenhum sinal de esperança. Nesta madrugada, primeiro de março, vejo o céu limpo, sem relâmpago, sem nuvens. Somente o clarão da lua.

.Este é meu pungente grito de alertas às autoridades do Estado: Criar um plano de emergência, para socorrer os sertanejos numa eventual seca, é imprescindível. O governo tem que está atento para o que vem acontecendo na região do sertão. Não deixe para última hora, porque poderá ser fatal.

Não quero ser profeta de mau agouro, só quero dizer que, tenho medo de que algo muito sério venha assolar a referida região, no caso, uma catástrofe natural, como uma grande seca.

Faço um veemente apelo, no sentido de que os políticos esqueçam suas tresloucadas brigas pelo o poder, e voltem-se para o problema da estiagem que começa assolar o sertão. E que a imprensa desperte os governantes para essa grave situação.

O clamoroso grito de alerta está sendo feito.

Santa Cruz, março de 2010.

Padre Djacy Brasileiro, em plena madrugada de março, com muito sono, pedindo a São José que interceda pelo o sertão.

Geral Djacy Brasileiro em 24 Fev 2010

CARAVANA DA VIDA

Com garra, determinação, espírito de sacrifício e renúncia, oito membros do comitê pró-transposição fizeram um longo percurso pelo sertão da nossa Paraíba, com o objetivo de dizer para o povo sertanejo, que a transposição de águas do rio São Francisco está tornando-se uma realidade concreta e existencial e para isso, é preciso acreditar e mobilizar-se.

Por onde passamos, tivemos o apoio incomensurável da imprensa sertaneja, e foi aproveitando-se dessa oportunidade, que procuramos levar esta mensagem de esperança para essa gente sofrida do sertão. Aliás, essa foi a caravana da vida, visando levar esperança de dias melhores para o povo sofrido.Através da imprensa falada,mostramos a importância desse projeto para a Paraíba,de modo bem particular, para o sertão.Mas não só isso,convidamos a população a engajar-se nesta luta renhida por água.Chamamos a atenção das autoridades políticas, para seu comprometimento na defesa desse projeto redentor.

Além de participarmos de programas de rádios, tivemos a oportunidade de encontrar-nos com os agricultores e lideranças sindicais. Foi um encontro proveitoso. Particularmente, percebi naqueles homens e mulheres da roça, um brilho de esperança. Para eles, algo novo vai acontecer nas suas vidas, e essa novidade, no seu pensamento, chama-se água do velho Chico. O comentário era um só: “Que felicidade, vamos beber água do rio São Francisco e nossa vida vai ser outra”.Ouvir essas palavras de otimismo desses irmãos sofridos, para mim, pastor sertanejo, foi motivo de felicidade e emoção. Fiquei encantado com essas palavras desses homens de mãos calejadas.

Numa dessas reuniões, percebemos muita revolta, angústia, desespero e pessimismo, por parte de muitos proprietários, no tocante ao não pagamento das suas indenizações. Que a justiça libere o quanto antes, o pagamento dessas indenizações, pois os trabalhadores não podem esperar tanto.

No vale do piancó, o comitê expressou sua grande luta em defesa da inclusão da região no projeto de transposição. Para o comitê pró-transposição, lutar para conseguir este intento, é questão de honra. O vale apoiou e aplaudiu essa sua luta incessante.

Que bonito, ver os membros do comitê engajados no meio dessa gente sofrida do nosso sertão. Todos eles puderam perceber o drama do homem do campo: gente marginalizada, mal-tratada não pela idade, mas pelo drama do sofrimento do dia a dia. Amei estar ao lado desses companheiros de luta. Todos com espírito aguerrido, desejando o melhor para nossa Paraíba. Esses são os verdadeiros cidadãos comprometidos com a vida de milhares de paraibanos. São verdadeiros cidadãos, doando-se em defesa da vida, através deste trabalho de luta em defesa do abençoado projeto de transposição.

Como foi bonito ver dom Aldo, presidente do comitê, na sua simplicidade, conversando, sem nenhuma formalidade, com o povo da região. Todos sentiram-se à vontade com o Arcebispo.Vi nesse homem de Deus, uma vontade louca de ver a Paraíba crescer no âmbito sócio-econômico. Dom Aldo, é bom que se diga, enfrentou, com muita alegria, boa vontade e determinação cristã, o calor, o cansaço, a poeira e até sede.No primeiro dia de viagem ,nosso arcebispo não almoçou, juntamente com os demais membros, devido a falta de tempo, disso sou testemunha ocular. Não ouvi, em nenhum momento, esse bom pastor reclamar de cansaço, da fadiga, de sede… Pelo o contrário, vi-o animado, sorridente e feliz. Tive a alegria de levá-lo no meu carro, sim um carro sem ar condicionado, empoeirado, sem nenhum conforto. Mas ele estava lá, sem perder o bom humor.

Fomos, vimos e acreditamos. Para nossa alegria maior, tivemos a santa oportunidade de visitar o canteiro de obras, que fica no município de São José de Piranhas. É impressionante a grandeza da obra. Só Lula mesmo para realizar esse majestoso sonho de doze milhões de nordestinos, que pungentemente clamam por água.

O comitê percorreu a região de Sousa, Cajazeiras e o Vale do Piancó. Por onde passou, foi bem recebido. Sinal de sua credibilidade. Sinal de que este comitê tem compromisso sério com o povo paraibano. Que o governo do Estado reconheça a importância e a grandeza desse comitê, formado por representantes de diversos segmentos da sociedade. São homens e mulheres, que com boa vontade, de forma totalmente voluntária, dedicam-se a esse trabalho de acompanhar, fiscalizar essa obra, e mobilizar a população e as autoridades políticas, para o engajamento nesta luta por água.

Parabéns ao comitê pró-transposição pela sua incessante luta, visando o bem estar do povo paraibano. Sua missão é nobre, é evangélica. Merece os aplausos de todos os paraibanos.

Padre Djacy Brasileiro

Geral Djacy Brasileiro em 26 Jan 2010

PARA O CRISTÃO LUTAR É PRECISO

Que todos nós, cristãos, tenhamos consciência que o verbo lutar, no âmbito cristão, deve ser uma constância na nossa caminhada histórica. Pois, é a luta por um mundo melhor, onde a cultura da vida prevaleça, que faz com que nossa vida, tão efêmera, tenha sentido e mais ainda, agrade ao Deus da vida, que disse através do seu filho Jesus: “eu vim para que todos tenham vida”.

Num mundo marcado por tanta desumanidade, onde os pobres são tratados como coisas, relegados e maltratados, os cristãos que se dizem seguidores de Jesus Cristo, O Jesus da Galiléia, não podem viver de braços cruzados, numa atitude passiva, cômoda, encastelados no seu mundinho ou somente preocupando-se em agradar a Deus com seu devocionismo ingênuo ou seu radicalismo religioso, apegando-se exacerbadamente ao moralismo, às leis humanas e a um espiritualismo vazio. Viver nessa situação cômoda, seria entrar na contramão do Evangelho, que nos convoca a viver intensamente a fé de forma atuante, histórica e libertadora. Aliá, São Tiago é muito categórico ao dizer: “fé sem obra ela é morta”. O próprio Jesus disse: “Nem todos aqueles que dizem Senhor, Senhor será salvo, mas, sim aquele que faz a vontade do meu Pai”.

Para esse tipo de cristãos reacionários, acomodados, apegados a letra morta da Bíblia e possuidores de uma fé alienante, sem vínculo com o chão da história, ou seja, fé sem ação, sem compromisso histórico, descomprometidos com o Reino, visando somente a vida após morte, esquecendo que o céu tem seu começo nesta vida,quando os pobres vivem com dignidade ,com sua plenitude na escatologia, pesam as palavras do profeta Jesus: “Ai de vós fariseus hipócritas…”

Ora, se esta sociedade é demasiadamente marcada por tantas injustiças cometidas contra os filhos humildes de Deus, afinal, qual nossa missão de cristãos, que tanto afirmamos amar a Cristo? É fazer como ele fez, anunciando e denunciando, ou simplesmente ficar na letra morta do Evangelho, nos louvores, nas palmas pra Jesus e apegando-se, a princípios humanos ou normas jurídicas? É ficar no comodismo dos cultos embelezados, coloridos, com seus atrativos estéticos, porém vazio de sentido? Aliás, sou obrigado a confessar na condição de cristão: muitos de nós, que assumimos certa função hierárquica, quer na igreja, na comunidade, nos preocupamos muito mais com normas rígidas, irredutíveis; com o moralismo ultrapassado ,fora do contexto,onde tudo é pecado e com a igreja tijolo.E com relação a este último, digo com muita convicção: igreja pedra é ,muitas vezes, o centro de nossas preocupações em detrimento da Igreja povo,da Igreja gente.

Para muitos cristãos, que se dizem apaixonados por Jesus, o mais importante é trabalhar dia noite para fazer do templo, prédio, uma verdadeira imponência, esquecendo que o verdadeiro templo, é o Cristo presente em cada pessoa humana: “estava com fome e me deste de comer; estava com sede e me deste de beber…” E há, também, uma preocupação por parte de muitos ministros ditos de Deus, no tocante o embelezamento do culto: gastam-se dinheiro e mais dinheiro com roupas para o culto, incenso e outros componentes. Enquanto isso, o Cristo clama pungentemente pela boca de milhares de miseráveis: quero pão, água, roupa, casa, salário, terra, dignidade.

Não foi por acaso que Deus falou por meio do profeta Jeremias: “Se realmente melhorardes os vossos caminhos e as vossas obras, se realmente praticardes o direito cada um com seu próximo, se não oprimirdes o estrangeiro,o órfão e a viúva…então eu vos farei habitar neste lugar.(Jeremias 7,3ss.).” Em síntese, para o Deus da vida,o Deus dos pobres, o verdadeiro culto que lhe agrada é livrar o oprimido das garras da injustiça.

Ser cristão e não ter coragem para assumir de forma incondicional, radical a luta em defesa da justiça para os pobres, não passa de mero farisaísmo, hipocrisia com direito a repreensão de Jesus: “afastai-vos de mim maldito, por que tive fome, sede, doente, nu, abandonado, injustiçado, excluído, marginalizado e não olhastes para mim”. “Ide malditos para o fogo eterno” (Mt, 25,31ss.).

Pelo visto, o inferno estar cheio dessa gente.

Padre Djacy Brasileiro

Geral Djacy Brasileiro em 21 Jan 2010

SERTANEJOS CHORAM A MORTE DE UMA SANTA MULHER

Perdemos um grande referencial cristão, protótipo de vida dedicada até o extremo à cultura da vida. A Dra. Zilda Arns foi, indubitavelmente, uma mulher cristã que ouviu e viveu na sua extensão e profundidade, as palavras de Jesus libertador: “eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância”.

Ela olhou com os olhos do coração, as criancinhas pobres deste País, de modo bem particular, as crianças do nosso sertão paraibano, através da pastoral da criança, obra de seu coração apaixonado por Jesus na pessoa dos irmãos sofredores. Por essa razão, todos os sertanejos da Paraíba devem muitíssimo a Dra.Zilda. Como é notório,muitas vidas, graças a pastoral da criança, foram salvas e hoje são pessoas saudáveis e felizes.

Os sertanejos estão sentindo uma dor muita grande. Estão chorando essa perda irreparável. Partiu para a eternidade a protetora de nossas criançinhas sertanejas e chegando ao céu, foi recebida com festa pelos anjinhos de Deus.

Em oração, suplicamos a Jesus, que tanto amou as crianças,que lhe conceda a felicidade eterna,como prêmio pelo seu amor incondicional aos pequeninos sofridos deste sertão.E que, com suas bênçãos e proteção, a pastoral da criança continue com força e determinação cristã,salvando vidas de inocentes deste solo sertanejo.

Padre Djacy Brasileiro, sentindo a dor da perda de alguém que tanto amou os pobres.

Sem Categoria & Geral Djacy Brasileiro em 24 Dez 2009

MENSAGEM DE ESPERANÇA

O tema central deste meu último artigo do ano de 2009, dirigido aos meus leitores, que acreditam na minha coerência cristã, trata-se sobre o que está na crista da onda, neste final de ano: a esperança de um mundo melhor. Eu diria: A esperança de Paraíba melhor.

Não quero ser prolixo, enfadonho, até porque neste tempo de festa, de encontros e reencontros, as pessoas estão numa correria tremenda.Por isso,na brevidade da escrita,quero ser sincero, realista, falando o que mais desejo que aconteçam neste pedaço de chão brasileiro,que é minha sofrida e esquecida Paraíba.

Passei o ano todo expondo os problemas sérios, graves que afetam a vida do povo do meu país, da minha Paraíba. Agora, exponho o que mais desejo para esse mesmo povo que carrega o fardo pesado da vida sofrida. Aliás, sou pastor, e falo como pastor que conhece seu rebanho. Um dia Jesus disse: “Tenho pena deste povo, que é como rebanho sem pastor”.

Então, eis o que mais desejo para minha “Paraíba masculina, mulher macho, sim, senhor!”.

1- Que o povo seja liberto da alienação política, e assim sendo , com sua consciência critica,seja participativo e viva de olhos abertos para a realidade que o cerca;

2- Que o povo assuma sua cidadania e assim, aprenda a lutar pelos seus direitos inalienáveis, como o direito à saúde, educação, segurança, emprego, etc.;

3- Que não se deixe enganar por discursos hipócritas, demagógicos, nojentos de muitos politiqueiros desavergonhados;

4- Que o povo não fique mais calado, acomodado, com espírito determinista ou fatalista, esperando que as coisas aconteçam de cima para baixo;

5- Que o povo sofredor, no próximo ano, dê um cartão vermelho aos candidatos com ficha suja;

6- Que a corrupção desapareçam de todas as esferas do poder público: legislativo, executivo e judiciário e com isso, o dinheiro público seja aplicado devidamente em favor de todos, mas de modo especial, às classes menos favorecidas;

7- Que o povo aprenda a dizer um não sério e responsável à elite política, que só sabe tirar proveito dos pobres, dos miseráveis…;

8- Que os governantes se voltem para a camada mais pobres, implantando verdadeira políticas públicas, não assistencialismo, visando combater as causas da miséria, da fome, da violência…;

9- Que nenhum paraibano passe fome. Afinal, a fome é causa de muitos males;

10- Que o povo tenha direito a uma saúde e educação de qualidades;

11- Que o povo pobre, sofredor seja tratado com muito respeito, com muita dignidade pelas autoridades constituídas deste pedaço de chão nordestino, que é a Paraíba;

12- Que a justiça social possa falar mais alto neste Estado marcado por tanta violência generalizada contra os pobres, os pequenos, os excluídos…;

13- Que os pobres sejam tratados com muito respeito nas diversas repartições públicas do estado e do município, sobretudo nos hospitais;

14- Que nenhum pobre morra nas filas dos hospitais;

15- Que a fé cristã seja instrumento de libertação e não de alienação. Que os padres, pastores e cristãos sérios lutem para fazer com que, em nome da fé, o povo saia de uma situação de miséria, fome, desemprego;

16- Que as igrejas cristãs preguem um Jesus Cristo libertador, comprometido com os pobres deste Estado;

17- Que os cristão, os não-cristãos e ateus, em nome do amor, se dêem as mãos na luta contra o cultura de morte,que assola esta sociedade hodierna;

18- Que o Reino de Deus torne-se uma realidade concreta e existencial para a felicidade do povo marginalizado desta querida Paraíba.

Amém, amém, amém!

Feliz e abençoado natal, com muita conversão e comida na mesa de todos.

Deus seja louvado neste tempo de esperança renovada. Amém!

Padre Djacy Brasileiro

Geral Djacy Brasileiro em 07 Dez 2009

ALIENAÇAO RELIGIOSA

Nunca vi, durante toda minha vida de cristão padre, tanta alienação religiosa. Tanta euforia espiritual desvinculada de qualquer compromisso com o verdadeiro Reino de Deus. E por conta disso, avança, em nome da fé cristã, a exaltação ao subjetivismo, dando evasão, com isso, ao emocionalismo. Estamos vivenciando, portanto, não o cristianismo historicizado, contextualizado, comprometedor e libertador, desejado pelo Jesus histórico, mas um cristianismo nas nuvens, descaracterizado na sua essência, um cristianismo alienante, e por isso, muito perigoso. É a era do espiritualismo cristão exarcebardo.
O cristianismo verdadeiro, puro, compromissado com as causas sociais, com os pobres, os excluídos, os injustiçados, com a vida do povo de Deus, está cedendo espaço para um cristianismo platônico, a - histórico, estéril e inócuo. Agora é uma vivência de fé extremamente conservadora, alienante, reacionária. Longe daquele cristianismo idealizado por Jesus, que vendo a multidão faminta falara: “Tenho pena deste povo, porque é como ovelhas sem pastor”. Um cristianismo libertador, que visava libertar o povo sofrido das garras dos poderosos, um cristianismo do reino de Deus: reino de justiça para todos: “Eu vim para que todos tenham vida”. Disse Jesus. Jesus é enviado para anunciar a Boa Nova aos pobres e os pobres são seus prediletos. Eis, então, a missão de Jesus, eis o objetivo do cristianismo.
No início da religião cristã, as comunidades cristãs viviam profundamente as palavras do Jesus libertador, hoje, no entanto, falam-se de um Jesus descompromissado com os pobres, os excluídos, enfim ,com a justiça social. O Jesus de hoje é anunciado como aquele que cura e faz milagres na vida da pessoa, um Jesus que não está nem aí com as causas sociais que geram a cultura de morte. É o Jesus das promessas de riqueza, de curas, do bem estar pessoal. Não se falam no Jesus que quer que lutemos contra a fome, a miséria, a violência, a exclusão… O culto ou a celebração gira em torno de louvores, orações prolongadas desvinculadas da vida sofrida do povo, aplausos, choros, lágrimas, pula pula, gritaria, chegando às vezes ao histerismo. Até diria, que esses eventos ditos religiosos funcionam muito mais como terapia, como alivio de um espírito stressado. As leituras bíblicas são totalmente descontextualizadas, sem nexos com o contexto da época e com a realidade hodierna. Hoje, a leitura é escolhida de acordo com os problemas pessoais. Funcionam mais com remédio para a alma. As leituras são lidas e interpretadas de modo bem adocicadas e alienantes. Até diria, que não é levado em consideração o contexto social, político, cultural, religioso e econômico da época em quer fora escrito os livros sagrados.
As músicas cantadas hoje,nem se fala, são totalmente alienantes, voltadas mais para o emocionalismo. Não falam da realidade de milhares de seres humanos que vivem à margem da vida, não fazem nem um nexo entre o Jesus histórico e o seu povo sofredor. O que tenho observado, é que essas músicas não levam as pessoas a tomarem consciência de sua realidade cruel, não conscientizam, pelo o contrário, fortalecem a alienação religiosa e por que não dizer, também política. Ora a alienação religiosa leva o povo a ser conformista, reacionário e cego no que diz respeito a sua própria cidadania. Sabem quem sai ganhando com tudo isso? A elite política. Claro, quanto mais um povo alienado, reacionário, melhor. E assim, esse mesmo povo continua sendo tratado como massa de manobra.
Enquanto as pregações são alienantes, desencarnadas, fora de contexto; enquanto as celebrações ou cultos são recheados de aplausos, lágrimas, vivas, danças, promessas de curas, milagres, libertação interior; enquanto as músicas são voltadas para o emocionalismo, para as nuvens, levando as pessoas ao comodismo e a alienação, o povão vai, a cada dia que passa, mergulhando no submundo da miséria, da fome, da exclusão social, da cultura da morte. Com isso quero dizer, que um povo alienado, reacionário, acomodado, com visão determinista não questiona, não cobra, não reivindica… Tudo é jogado para Deus, numa dimensão fatalista: “Deus quer assim… então vamos morrer assim”.
O papel da religião cristão é alienar, impedir que o povo grite, reivindique, fique acomodado, esperando que as mudanças aconteçam a partir do céu, ou fazer o mesmo a ter consciência crítica, a partir de uma fé libertadora, encarnada, historicizada? Onde, afinal, está o verdadeiro anúncio do Reino? O Reino que era o núcleo central de toda pregação de Cristo?
Agora pergunto: por que prenderam, julgaram e condenaram o Jesus de Nazaré? E por que disseram: “prendamos esse homem, ele anda agitando o povo, é um malfeitor?”.
Jesus morreu de morte natural, ou foi assassinado pelo sistema opressor da época? E o que ele fez para merecer esse tipo de morte, que era aplicada aos bandidos?
Sinceramente, estou cheio de tanta alienação religiosa. Não agüento mais.
Uma coisa afirmo, sem medo de errar: Enquanto a alienação religiosa avança,a cultura de morte vai tomando corpo para a desgraça do povo de Deus.
Que Deus me dê a graça da sabedoria e do discernimento, para não me enveredar por esse caminho tão inócuo, que não agrada ao Deus da vida, que disse: “eu vi,eu vi a miséria do meu povo que está no Egito.Ouvi o seu clamor por causa dos seus opressores;pois eu conheço suas angústias.Por isso desci a fim de liberta-lo da mãos dos egípcios,e para faze-lo subir daquela terra a uma terra boa e vasta,terra que mana leite e mel(Ex.3,7ss.)”.
Para concluir, cito o que o teólogo da teologia da libertação, padre Jon Sobrino falou, no livro descer da cruz os pobre: “Jesus morreu na cruz, não porque Deus exigia o seu sacrifício, mas “por anunciar a esperança aos pobres e denunciar seus opressores” (p.318)”.

Padre Djacy Brasileiro, em 05 de dezembro de 2009.

Sem Categoria & Geral Djacy Brasileiro em 03 Nov 2009

DA MORTE NÃO ESCAPA NINGUÉM

“Orai e vigiai, pois, não sabeis nem o dia e nem a hora”. Disse Jesus. Como é notório, todos chegaremos ao final de nossa existência, querendo ou não. É uma realidade transcendental pela qual todos passarão: ricos, pobres, agricultores, doutos, analfabeto , famosos, latifundiários, presidentes, generais, papas. Não escapa ninguém. Graças a Deus. Jesus, nas suas palavras supracitadas, queria dizer o seguinte: a morte é inevitável, por conta disso, preparem-se.

Infelizmente, neste mundo muitas pessoas vivem como se não fossem morrer. A cada dia que passa se preocupam mais e mais com status, beleza física, poder em todos os aspectos, notoriedade e com seus bens materiais. No tocante aos bens terrenos, vivem obcecadas, sempre pensando adquirir mais, ganhar mais, lucrar mais, para isso, passam por cima da ética, da moral, explorando os pobres,roubando , praticando todo tipo de corrupção. Para essa gente gananciosa, orgulhosa, vaidosa, vale a sentença bíblica: “Vaidade das vaidades tudo é vaidade”.Para esses semi-deuses, o que importa é o viver no aqui e agora. O pior, é que esse comportamento ilusório é praticado por pessoas que se dizem cristãs. São pessoas que muitas vezes freqüentam a Igreja ou o templo, rezam, lêem a Bíblia, se confessam , recebem a Eucaristia e louvam a Deus. Mais que hipocrisia desses cristãos. Jesus para eles diz: “Nem todos aqueles que dizem Senhor, Senhor será salvo”.

Nas missas de exéquias, faço questão de chamar a atenção dos cristãos para a brevidade da vida. E cito muitas expressões bíblicas, tais quais: “Não temos morada permanente neste mundo”; “Não dura muito o homem rico e poderoso; é semelhante ao gado gordo que abate”; “morrem os sábios e os ricos igualmente”; “morrem os loucos e também os insensatos, e deixam tudo que possuem aos estranhos”; “para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro”; “nem todos morreremos, mas todos seremos transformados, num abrir e fechar de olhos” ; “nós porem, somos cidadãos do céu”; tudo aqui é efêmero….assim, penso preparar meus fiés para o último instante da vida e seu encontro definitivo com o Pai.

Percebo que muitas pessoas não levam em consideração a morte que virá, vivendo como se não fossem mortais.Coitados desses pobres humanos. Assim, vivem encasteladas no seu orgulho, vaidades, egoísmo, prepotência, apegada exacerbadamente aos bens materiais. Tanta gente de nariz empinado, que só pisa no chão por que é o jeito. Basta estar num carro novo, importado, ou morar numa mansão para empinar o nariz e desconhecer seus semelhantes, sobretudo quando se trata de pessoas pobres. Meu Deus do céu, pra que tanta besteira, tanto orgulho dessa gente granfina, que fede tanto quanto o pobre, o desvalido. Se o pobre tem dor de barriga, o granfino também tem. Tenho ojeriza a essa gente com esse comportamento anticristão, desumano. Dessa raça, quero distância. Tenho nojo.

Para que tanto orgulho, vaidade, arrogância, prepotência, ambição. Quantas pessoas, pelo fato de ganhar bem, morar em mansões, possuidoras de diplomas, de anel de ouro, ter bons empregos, ocupar cargos importantes na sociedade mal falam como os pobres, com os humildes, os pequenos, os descamisados ou excluídos dos seus direitos inalienáveis. Muitas vezes essa gente, que vai morrer, apodrecer, feder tem até nojo de pegar na mão dos seus seu semelhantes, pelo fato de serem pobres. Há patricinha ou mauricinho, que quando está no seu carro importado, mais parece um robô: empina o nariz, endurece a cara, e mal olha para as pessoas. Parece que não é mortal. Besteira das besteiras, tudo é besteira. Um dia a morte pega esses granfinos e sua carne vai apodrecer para a felicidade dos germes. Duvido que seu dinheiro, sua beleza física, seu anel de doutor venha em seu socorro. Essa gente pensa que não morre, que não tem julgamento por parte de Jesus, que disse: “Ai dos que maltratam os pobres”.

Uma coisa eu digo e sem medo de errar. O cemitério é o lugar onde todos moram bem coladinhos: pobres, ricos, doutos, gente importante de narizes empinados. Pensem num lugar, onde todos são iguais? Agora, o negócio não é no cemitério é na outra vida. Certamente, os pobres terão prioridade na casa do Pai. Lembremo-nos da famosa parábola do famigerado rico e do pobre Lázaro, contada por Jesus. Então, reflitamos, antes que seja tarde..

A morte é justa e vem para todos indistintamente. É o que diz o Salmo 48(49):

“Ninguém se livra da morte por dinheiro. Nem a Deus pode pagar o seu resgate; A isenção da morte não tem preço; não há riqueza que a possa adquirir, nem dar ao homem uma vida sem limites e garantir-lhe uma existência imortal. Morrem os sábios e os ricos igualmente; morrem os loucos e também os insensatos; e deixam tudo que possuem aos estranhos”.

Quero ver os figurões, os granfinos, os importantes, os mandões, os não me toquem, os narizes empinados escapar dessa. “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. E eu não estou nem aí.

Padre Djacy Brasileiro

Política Djacy Brasileiro em 10 Set 2009

TRANSPOSIÇÃO: VERGONHA, COVARDIA, TRISTEZA

Padre Djacy 1 2 3 4 - Padre Djacy 1 2 3 4
“A Paraíba poderá ficar de fora do projeto de transposição”. Mais que absurdo, que coisa vergonhosa, decepcionante, triste. È muito constrangedor ouvir uma informação dessa.Depois de tanta esperança ,tanto otimismo, ouvir uma tétrica informação dessa ,só nos dá revolta e o desejo de gritar: estamos sendo enganados,ludibriados…

A causa de tudo isso não é técnica, mas comodismo, inércia, desinteresse das autoridades políticas do nosso Estado. Aliás, tenho dito muitas vezes, que nossas lideranças políticas não estão nem aí, com esse projeto. Está faltando garra, valentia, determinação, interesse por parte de nossas lideranças, na luta em defesa desse projeto redentor. Só para lembrar, quando estive em Brasília,com a cruz de latas, apenas quatro deputados me deram apoio e quanto aos senadores, nenhum. Onde estavam nossos representantes,, nessa hora?

Se a transposição não chegar ao nosso Estado, tem culpa a sociedade civil pelo seu imobilismo, comodismo e muito mais, a classe política, com raras exceções.

Como cidadão e pastor de um povo sedento, que sabe o que é seca com suas conseqüências nefastas, digo que é preciso partir para uma verdadeira batalha, para que nosso Estado seja contemplado com as águas do velho Chico.Temos que partir com tudo.

Meu recado aos políticos: nesta hora de luta renhida em defesa da transposição para nossa Paraíba, deixem de briga, esqueçam o trono, os privilégios, as mordomias que o poder lhes confere e assumam, responsavelmente, essa luta por água para nosso Estado.

Se a transposição não chegar a nossa Paraíba, os políticos que estão no poder serão os verdadeiros culpados. E o povo vai saber disso.

Santa cruz, 10 de setembro de 2009 Padre Djacy Brasileiro, apaixonado pelas causas sociais.

Política Djacy Brasileiro em 10 Set 2009

SERTANEJOS NA LUTA PELA UNIVERSIDADE FEDERAL

Padre Djacy1 - Padre Djacy1
Utopia, bobagem, perda de tempo, maluquice? Que nada! Lutar pela implantação de uma Universidade Federal no sertão paraibano não é um sonho ou bobagem, já é uma realidade presente na mente e no coração de muitos sertanejos, a exemplo do Professor de Direito da UFCG Joaquim Alencar, que com sua sabedoria, inteligência vem arregimentando adeptos em defesa desse projeto para nosso sofrido e esmagado sertão.

Não nos esqueçamos, que esse sonho pode tornar-se realidade concreta e existencial, quando houver a força da união de todos os sertanejos. Então, nossa luta tornar-se-á bobagem, maluquice para aqueles que não conhecem a realidade nua e crua do sertão; a braveza, coragem e determinação dos sertanejos e desejam que nosso sonho não se concretize. Talvez esses opositores pensem, que somos mais do que malucos, somos um bando de pessoas atrasadas, ignorantes, querendo que caia chuva de gelo em pleno deserto..

Numa lacônica restropectiva, visando atiçar nossa consciência cidadã e cristã, para uma reflexão sociológica crítica e assim, tomarmos gosto por essa luta renhida, confesso que, por muito tempo, fomos humilhados, esquecidos, tratados como coisa ou objeto; tidos como mão de obra barata,por isso, explorados no sul do País; ignorados,vistos como seres inferiores,de inteligência atrofiada; e ainda hoje,muitos nos têm como homens e mulheres que só sabem o que é rapadura , farinha e carne seca.Quantas vezes os filhos do sertão foram tratados com desdém pelos governantes em tempo de seca.O povo sertanejo chamado de “cassaco” era tratado como bicho do mato: eram obrigados a come um arroz miserável chamado buga( nem bicho bruto comia). Em termo de educação, não havia a mínima preocupação em oferecer a essa gente sofrida uma formação intelectual capaz de tirá-los do atraso generalizado. Taxados de atrasados, eram visto como massa de manobra para deleite de uma elite podre, nojenta.E o sertão era visto como terra de gente não “lapidada”.

A partir dessa análise histórica, nós sertanejos, mal vistos e excluídos, temos que dar um grito de libertação, mostrarmos que somos um povo forte, heróico, trabalhador, inteligente e de alto potencialidade intelectual. Por isso, basta de humilhação, de gozação, de exploração. E vamos a luta,pois chegou a hora da redenção sertaneja.E essa redenção histórica no âmbito sócio-político-econômico e cultural passa, notadamente, pelo caminho da educação. Trata-se de uma luta pela criação de uma Universidade Federal no nosso sertão. Pois, afinal, temos toda uma capacidade para fazer funcionar a todo vapor, essa instituição acadêmica. Repito: homens e mulheres de alto gabarito profissional é o que não falta. Ate diria, sem medo de errar, que o sertão é exportador de grandes cérebros em diversas áreas profissionais, brilhando em todo recanto deste País.

Tenho ouvido muito, nas minhas andanças pela capital do Estado, que os sertanejos são os alunos que melhor se esforçam para o estudo. São mais estudiosos, dedicados e não medem sacrifício para realizar o sonho de ter um curso superior. São estrelas brilhando no mundo acadêmico, para orgulho da nossa região. E isso comprova o que tenho afirmado anteriormente. Lamentavelmente, são poucos os que têm a oportunidades de realizar o sonho de freqüentar uma Universidade pública. Até diria,com muita convicção ,que são os filhos da elite ,que tomam os lugares dos pobres nas universidades.E digo: os pobres pagam para os ricos estudarem .

Voltando a Universidade Federal, creio que seja imprescindível que nos unamos em defesa dessa idéia, desse projeto. Pois tudo é possível, quando há união e interesse em torno de uma causa. O advogado e professor de direito Joaquim Alencar está coberto de razão, quando diz ,com muita propriedade, que “apenas 1,6% dos nossos jovens com idade de estar em universidade estão no estudo superior… 98,4% estão excluídos…isso é um crime que clama a Deus”.

Abracemos essa causa, com espírito determinista e persistente, acreditando que um dia, com a nossa luta, à custa de sacrifício, humilhação e gozação, poderemos celebrar a festa da libertação no nosso querido povo sertanejo, pois, educação é sinônimo de progresso, consequentemente, de qualidade de vida. É isso que nós desejamos para a futura geração deste abençoado torrão.

Unamo-nos ao Professor Joaquim e a tantos outros que, por amor ao povo sertanejo, estão à frente dessa empreitada, para o bem e felicidade da nossa futura geração sertaneja..

“Sonho que se sonha só,fica na ilusão,mas um sonho que sonhamos juntos,começa sua encarnação”. Disse Dom Hélder Câmara.

Santa Cruz, 09 de setembro de 2009

Padre Djacy Brasileiro, apaixonado por causas sociais.

Sem Categoria & Geral Djacy Brasileiro em 01 Set 2009

TRANSPOSIÇÃO: QUE O GOVERNO FEDERAL NAÕ NOS ILUDA

padre Djacy 2 1 - padre Djacy 2 1
Apesar do projeto de transposição estar em andamento, conforme noticia o governo federal, percebo certa lentidão na execução dessa bendita obra. Penso, sem medo de errar, que não existe um interesse, como convém, por parte da classe política por esse projeto redentor. Por isso, volto a dizer com muita propriedade: Há, indubitavelmente, um silêncio sepulcral quanto à transposição.

Ás vezes me vem alguns questionamentos: será que o canal adutor do eixo leste será inaugurado no ano que vem, como deseja o governo federal? Será que o povo paraibano vai beber água vinda do São Francisco, no ano que vem? Será que, de fato, a redenção vai começar no próximo ano? 2010 será o ano da vinda das benditas águas do velho Chico? Será que a promessa do Presidente Lula vai ser cumprida?

Gostaria de saber do governo Federal uma resposta contundente, verdadeira, honesta sobre essas perguntas feitas pelo o povo sofredor de minha querida Paraíba.

Nada de enganação, de ilusão, de politicagem. O povo não pode ser mais enganado, ludibriado, tratado como massa de manobra. O povo quer solução e não politicagem.

Senhor presidente Lula, vai ou não vai inaugurar o canal adutor do eixo leste, no ano que vem? Queremos sua resposta honesta. Não dá mais para esperar, pois a seca já começa a maltratar milhares de paraibanos. Caso sua promessa não seja cumprida, vamos passar para a história, como um povo extremamente enganado. E a decepção e revolta falarão alto. Vou ver para crer.

Santa Cruz, 31 de agosto de 2009.

Padre Djacy Brasileiro

Fone: 3536-1119

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